Patologias da Coluna

Tumores da Coluna Vertebral: Sintomas, Tipos e Quando Investigar

Conheça os principais tumores da coluna vertebral e veja a diferença entre os tumores benignos e malignos.

Sentir dor nas costas por vários dias já causa preocupação. Quando existe a possibilidade de um tumor na coluna, essa preocupação é ainda maior.

O medo é compreensível, mas nem todo achado na coluna significa câncer ou uma doença sem tratamento.

Os tumores da coluna vertebral podem ter comportamentos muito diferentes. Algumas alterações na coluna são silenciosas e só chamam atenção quando aparecem em um exame de imagem.

O sinal de alerta vem quando a dor foge do esperado: não melhora, cresce com o tempo ou começa a vir junto de formigamento, perda de força ou dificuldade para andar.

O que são tumores da coluna vertebral?

São lesões formadas por células que crescem fora do padrão esperado em alguma estrutura da coluna.

Podem se desenvolver nos ossos, na medula, nos nervos ou nos tecidos ao redor, com impactos que variam de acordo com o tamanho, a localização e o tipo de tumor.

Na prática médica, a localização ajuda muito na investigação. O tumor pode ser:

  • Intramedular, quando cresce dentro da medula espinhal;
  • Intradural extramedular, quando fica dentro da membrana que protege a medula, mas fora dela;
  • Extradural, quando aparece fora dessa membrana, muitas vezes nas vértebras.

Essa divisão não serve apenas como nome técnico. Ela ajuda o médico a entender o risco de compressão neurológica, escolher os exames mais adequados e definir se o caso pede acompanhamento, cirurgia, radioterapia ou outro tipo de tratamento.

Tumor benigno na coluna também pode causar sintomas

Quando o paciente ouve a palavra benigno, é comum pensar que não há risco. Só que, na coluna, o comportamento depende muito do tamanho, do local e da relação da lesão com os nervos.

Um tumor benigno pode crescer devagar, mas comprimir a medula ou uma raiz nervosa. Também pode enfraquecer uma vértebra, causar dor persistente ou favorecer uma fratura.

Entre os tumores benignos e lesões de baixo potencial agressivo que podem aparecer na coluna, destacamos:

  • Hemangioma vertebral;
  • Meningioma;
  • Schwannoma;
  • Neurofibroma;
  • Osteoma osteoide;
  • Osteoblastoma;
  • Cisto ósseo aneurismático;
  • Tumor de células gigantes.

Alguns são descobertos por acaso em exames feitos por outro motivo. Outros chamam atenção por dor localizada, sintomas neurológicos ou alteração progressiva na mobilidade.

Tumor maligno na coluna: quando pode ser câncer

Os tumores malignos da coluna podem ser primários ou secundários.

Os tumores primários nascem na própria coluna ou em estruturas próximas, como vértebras, medula espinhal, raízes nervosas e tecidos ao redor. São menos comuns na prática.

Já as metástases vertebrais têm outra história, pois o tumor não começa na coluna. Ele vem de um câncer localizado em outra parte do corpo, que pode espalhar células pela circulação e atingir as vértebras.

Esse quadro é mais visto em cânceres de mama, próstata, pulmão, rim e tireoide. Mieloma múltiplo e linfoma também podem comprometer a coluna.

Entre os tumores malignos que podem atingir essa região, vale destacar:

  • Metástases ósseas;
  • Mieloma múltiplo;
  • Linfoma;
  • Cordoma;
  • Condrossarcoma;
  • Osteossarcoma;
  • Sarcoma de Ewing.

A presença de câncer prévio muda o nível de atenção. Dor nova nas costas em uma pessoa com histórico oncológico precisa ser avaliada com mais cuidado, principalmente quando a dor é contínua, piora à noite ou vem acompanhada de sintomas neurológicos.

Sintomas de tumor na coluna

O sintoma mais comum é dor nas costas ou no pescoço que não melhora como uma dor muscular habitual. Ela pode ser persistente, progressiva e mais intensa durante a noite ou ao deitar.

Outros sinais que merecem atenção:

  • Dor que irradia para braços, pernas, costelas ou abdômen;
  • Formigamento;
  • Dormência;
  • Perda de sensibilidade;
  • Fraqueza em braços ou pernas;
  • Dificuldade para caminhar;
  • Quedas sem motivo claro;
  • Perda de equilíbrio;
  • Alteração para urinar ou evacuar;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Dor em pessoa com diagnóstico atual ou passado de câncer.

Nem toda dor nas costas aponta para tumor. A maioria dos casos tem causas musculares, posturais, degenerativas ou inflamatórias. O ponto central é observar o padrão da dor e os sinais associados.

Dor que persiste, piora com o tempo ou vem junto de perda de força não deve ser tratada apenas com analgésicos por conta própria.

Quando procurar atendimento com urgência

Alguns sinais indicam maior risco de compressão da medula ou dos nervos. Nesses casos, a avaliação precisa ser rápida.

Procure atendimento médico sem demora quando houver:

  • Fraqueza progressiva nas pernas;
  • Dificuldade nova para andar;
  • Dormência em região extensa;
  • Perda de controle da urina ou das fezes;
  • Dor intensa e contínua, sem melhora;
  • Dor nas costas associada a febre ou perda de peso;
  • Dor nova em paciente com histórico de câncer.

A compressão da medula espinhal pode deixar sequelas quando não é tratada a tempo.

O melhor caminho é consultar um ortopedista de coluna com abordagem diagnóstica diferenciada para receber as orientações certas, investigar a causa e definir a conduta com segurança.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pela avaliação clínica. O médico pergunta onde dói, há quanto tempo a dor existe, quais sintomas aparecem junto, se há histórico de câncer, se houve perda de força e se há alterações urinárias ou intestinais.

O exame físico avalia força, sensibilidade, reflexos, equilíbrio e marcha. Esses dados ajudam a localizar a área da coluna que pode estar envolvida.

A ressonância magnética é o principal exame quando há suspeita de tumor na coluna. Ela mostra a medula, os nervos, os tecidos moles e o grau de compressão com mais precisão.

A tomografia pode ajudar a avaliar a parte óssea, fraturas, destruição da vértebra e planejamento cirúrgico. O raio-X pode mostrar algumas alterações ósseas, mas pode falhar em lesões menores ou em tumores localizados dentro do canal vertebral.

Em algumas situações, o médico solicita exames do corpo inteiro para investigar metástases ou procurar o tumor de origem. A biópsia pode ser necessária quando é preciso confirmar o tipo de tumor antes de decidir o tratamento.

Tratamentos

O tratamento depende do tipo de tumor, da localização, da agressividade, da presença de compressão neurológica e da estabilidade da coluna.

As opções podem incluir:

  • Acompanhamento com exames periódicos;
  • Medicamentos para controle de dor e inflamação;
  • Cirurgia para retirada do tumor;
  • Cirurgia para descompressão da medula ou dos nervos;
  • Fixação da coluna quando há instabilidade;
  • Radioterapia;
  • Radiocirurgia em casos selecionados;
  • Quimioterapia;
  • Terapias sistêmicas definidas pela oncologia;
  • Reabilitação física.

Lesões pequenas, benignas e sem sintomas podem ser apenas acompanhadas. Já tumores com compressão neurológica, fratura, instabilidade ou crescimento progressivo podem exigir uma conduta mais ativa.

Nos tumores malignos, o cuidado envolve mais de uma especialidade. Ortopedista de coluna, neurocirurgião, oncologista, radioterapeuta, fisioterapeuta e equipe de dor podem atuar juntos.

O que influencia o prognóstico

O prognóstico varia muito. Um hemangioma vertebral assintomático, por exemplo, tem uma evolução bem diferente de uma metástase com compressão da medula.

Os fatores que mais pesam são:

  • Tipo do tumor;
  • Localização;
  • Tamanho;
  • Velocidade de crescimento;
  • Presença de metástase;
  • Grau de compressão neurológica;
  • Estabilidade da coluna;
  • Condição clínica do paciente;
  • Tempo até o diagnóstico.

Quanto mais cedo o quadro é investigado, maior a chance de proteger a função neurológica, controlar a dor e preservar a mobilidade.

Perguntas frequentes

Todo tumor na coluna é câncer?

Não. Existem tumores benignos e malignos. Mesmo uma lesão benigna pode causar sintomas quando comprime nervos, medula ou enfraquece uma vértebra.

Dor nas costas pode ser sinal de tumor na coluna?

Pode, mas é uma causa menos comum. O sinal de alerta é a dor persistente, progressiva, pior à noite ou acompanhada de formigamento, fraqueza, perda de equilíbrio ou dificuldade para andar.

Qual exame detecta tumor na coluna?

A ressonância magnética é o exame mais importante, pois mostra medula, nervos, tecidos moles e possíveis compressões. A tomografia pode ser usada para avaliar melhor a parte óssea.

Tumor benigno na coluna precisa de cirurgia?

Nem sempre. Alguns casos podem ser acompanhados com exames periódicos. A cirurgia pode ser indicada quando há dor importante, crescimento da lesão, compressão neurológica ou risco de fratura.

Quando procurar atendimento com urgência?

Procure avaliação rápida se houver fraqueza nas pernas, dificuldade para andar, perda de controle da urina ou fezes, dor intensa sem melhora, perda de peso sem explicação ou histórico de câncer com dor nova nas costas.

Dr. Aurélio Arantes

Especialista em ortopedia de coluna em Goiânia. Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC). Preceptor do Departamento de Ortopedia e Traumatologia do HC-UFG e membro da diretoria da SBOT Goiás.

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