Procedimentos Cirúrgicos

Fraturas da Coluna Vertebral: Sintomas, Causas e Tratamento

Veja o que pode causar fraturas da coluna vertebral, sinais de alerta, fatores de risco e como tratar.

As fraturas da coluna vertebral nem sempre acontecem depois de um grande acidente. Em pessoas com osso frágil, sobretudo por osteoporose, elas podem surgir após uma queda simples, um esforço pequeno ou até sem um trauma muito claro.

Esse tipo de fratura costuma aparecer mais na região torácica e lombar. Dependendo do caso, pode causar dor intensa, perda de altura, postura curvada e limitação para caminhar, mas algumas fraturas são silenciosas e só aparecem em exames.

O ponto mais importante é que dor nas costas que começa de repente, principalmente em idosos ou após queda, merece avaliação médica.

Se junto com a dor surgirem fraqueza, formigamento ou perda do controle da urina e do intestino, a procura por atendimento deve ser imediata.

O que é uma fratura da coluna vertebral?

A fratura vertebral é uma lesão em um dos ossos da coluna. Ela pode acontecer em uma única vértebra ou atingir mais de uma, conforme o trauma, a fragilidade do osso ou a causa envolvida.

Quando a parte principal da vértebra afunda, achata ou perde altura, o quadro recebe o nome de fratura por compressão.

Nem toda fratura é igual. Algumas são estáveis e podem ser tratadas sem cirurgia, enquanto outras causam deformidade, instabilidade ou pressão sobre nervos e medula.

Quais regiões são mais afetadas?

Nas fraturas por fragilidade, ligadas à osteoporose, a parte torácica e a transição para a lombar estão entre as áreas mais atingidas. Já nas fraturas por trauma, qualquer segmento pode ser lesionado, inclusive a coluna cervical.

Quem tem mais risco?

Após os 50 anos, a saúde óssea merece uma atenção especial.

A perda de resistência fica mais comum nessa fase e pode facilitar fraturas nas vértebras, principalmente em quem fuma, consome álcool com frequência, usa corticoides há anos, tem baixo peso ou mantém uma rotina muito parada.

Casos de osteoporose ou fraturas na família também devem entrar na avaliação. Nas mulheres, esse risco pode aumentar após a menopausa.

Tumores e algumas doenças que comprometem a qualidade do osso também podem aumentar a chance de fraturas na coluna.

Principais causas das fraturas da coluna vertebral

Nos adultos mais velhos, muitas fraturas por compressão estão ligadas à osteoporose. Com o osso menos resistente, a vértebra pode achatar após situações simples, como pegar algo no chão, carregar uma sacola mais pesada ou tropeçar.

Traumas de alta energia também causam fraturas vertebrais. Acidentes de carro, quedas de altura, atropelamentos e mergulho em água rasa são exemplos clássicos, e nesses casos o risco de lesão neurológica é maior.

Há ainda as fraturas ligadas a tumores, que pode acontecer quando um câncer começa na própria coluna ou quando uma metástase enfraquece a vértebra, deixando o osso mais suscetível à quebra.

Sintomas mais comuns

Os sintomas variam conforme a causa, a gravidade e a parte da coluna atingida. Em fraturas por osteoporose, a dor pode nem aparecer no começo, o que atrasa o diagnóstico.

Quando há sintomas, os mais comuns são:

  • Dor súbita nas costas, no meio ou na parte baixa da coluna;
  • Piora da dor ao ficar em pé, caminhar ou fazer esforço;
  • Perda de altura ao longo do tempo;
  • Postura mais curvada, com aumento da cifose;
  • Dificuldade para se mover, subir escadas ou se inclinar;
  • Dor que irradia para o lado do tronco ou abdome em alguns casos.

Se a fratura comprimir estruturas nervosas, podem surgir sinais mais graves. Nessa situação, o quadro deixa de ser apenas doloroso e passa a exigir avaliação urgente.

Sinais de alerta que exigem atendimento rápido

  • Fraqueza nas pernas ou nos braços;
  • Formigamento ou dormência;
  • Dificuldade para andar;
  • Perda do controle da bexiga ou do intestino;
  • Dor intensa após queda, colisão ou outro trauma forte.

Como é feito o diagnóstico?

A avaliação parte da conversa com o paciente e do exame físico.

O ortopedista de coluna especialista com ampla experiência em tratamentos avançados observa o ponto da dor, o momento em que ela surgiu, se houve queda ou trauma, se a pessoa perdeu altura e se aparecem sinais de alteração neurológica.

O raio X é o primeiro exame. A tomografia ajuda a enxergar melhor o osso e permite avaliar a extensão da fratura, o formato da vértebra e possíveis alterações na estrutura.

A ressonância magnética entra como complemento, principalmente quando é preciso saber se a lesão é recente, se existe edema, tumor ou compressão sobre nervos e medula.

Se a fratura tiver sinais de fragilidade óssea, a investigação não deve parar na vértebra lesionada. O médico também precisa pesquisar osteoporose, geralmente com densitometria óssea, e revisar doenças ou medicamentos que possam estar reduzindo a resistência dos ossos.

Como funciona o tratamento?

O tratamento depende da causa da fratura, da intensidade da dor e da presença ou não de instabilidade e déficit neurológico.

Em boa parte dos casos, o tratamento começa de forma conservadora. Mesmo sendo uma conduta sem cirurgia, o tratamento exige orientação e acompanhamento.

A intenção é reduzir a dor, dar mais segurança para a coluna, retomar os movimentos aos poucos e evitar novas fraturas.

Tratamento conservador

Nas fraturas estáveis e sem lesão neurológica, o tratamento pode incluir analgésicos, uso de colete em casos selecionados e fisioterapia no momento adequado. A reabilitação ajuda a recuperar movimento, força e confiança para voltar às atividades.

Em quem tem osteoporose, o plano também envolve correção de fatores de risco e tratamento específico para proteger o osso, o que reduz a chance de uma nova fratura nos meses seguintes.

Vertebroplastia e cifoplastia

Esses procedimentos minimamente invasivos podem ser considerados em situações bem escolhidas. Em geral, são indicados quando a dor permanece forte e incapacitante mesmo após tratamento conservador bem conduzido.

Na vertebroplastia, um cimento especial é injetado na vértebra para estabilizá-la. Na cifoplastia, um balão pode ser usado antes do cimento, com a intenção de criar espaço e ajudar na correção da deformidade em alguns casos.

Quando a cirurgia é necessária?

A cirurgia aberta fica reservada para situações mais graves, como fraturas com instabilidade importante, compressão neurológica, deformidade progressiva ou lesões associadas a tumores.

Nesses cenários, o foco deixa de ser apenas aliviar a dor. Também é preciso proteger a medula, os nervos e o alinhamento da coluna.

O que fazer para evitar novas fraturas?

Prevenir a próxima fratura é uma parte essencial do tratamento. Depois que uma vértebra quebra por fragilidade, o risco de novas fraturas aumenta, principalmente se a osteoporose continuar sem controle.

Algumas medidas fazem diferença real no dia a dia:

  1. Manter atividade física regular, com orientação profissional.
  2. Tratar a osteoporose quando ela estiver presente.
  3. Garantir boa ingestão de cálcio, vitamina D e proteína, conforme orientação médica.
  4. Parar de fumar e reduzir álcool em excesso.
  5. Revisar remédios de uso contínuo que possam afetar o osso.
  6. Adaptar a casa e a rotina para reduzir o risco de quedas.

Também vale observar mudanças discretas. Roupa que começou a “cair diferente”, diminuição da altura e piora da postura podem ser sinais de fraturas antigas que passaram despercebidas.

Quando procurar um especialista em coluna?

Dor nas costas após queda, esforço pequeno ou movimento simples já é motivo para avaliação, especialmente em idosos. O mesmo vale para quem tem osteoporose conhecida, câncer, uso prolongado de corticoide ou perda recente de altura.

Quanto mais cedo a fratura é identificada, maiores as chances de controlar a dor, evitar deformidades e proteger a função neurológica. Em um tema como esse, esperar a dor “passar sozinha” nem sempre é a melhor decisão.

Perguntas frequentes

Fratura na coluna sempre causa dor forte?

Não. Algumas fraturas provocam dor intensa logo no início, principalmente após queda ou esforço. Outras podem ser discretas e aparecer apenas em exames, especialmente em pessoas com osteoporose.

Osteoporose pode causar fratura na coluna sem acidente grave?

Sim. Quando o osso está frágil, uma vértebra pode fraturar após uma queda simples, ao carregar peso, ao se abaixar ou até sem um trauma bem definido.

Quando a fratura na coluna vira urgência?

A avaliação deve ser rápida quando a dor vem acompanhada de fraqueza, dormência, formigamento, dificuldade para andar ou perda do controle da urina e do intestino.

Toda fratura vertebral precisa de cirurgia?

Não. Muitas fraturas estáveis melhoram com tratamento conservador, como controle da dor, colete em casos indicados e fisioterapia. A cirurgia é indicada para casos com instabilidade, deformidade importante ou compressão de nervos.

Dr. Aurélio Arantes

Especialista em ortopedia de coluna em Goiânia. Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC). Preceptor do Departamento de Ortopedia e Traumatologia do HC-UFG e membro da diretoria da SBOT Goiás.

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