Procedimentos Cirúrgicos

Espondilolistese: Causas, Sintomas e Tratamentos

Descubra as causas, sintomas e opções de tratamento para espondilolistese, condição que afeta a coluna vertebral quando uma vértebra desliza sobre outra.

A espondilolistese ocorre quando uma vértebra escorrega para frente sobre a vértebra localizada abaixo dela.

Esse deslocamento é mais comum na região lombar da coluna. Dependendo do grau, pode provocar dor nas costas, sensação de rigidez e, em alguns casos, irritação ou compressão dos nervos.

Nem sempre o problema dá sinais claros no começo. Há pessoas que descobrem a alteração em um exame de imagem feito por outro motivo, enquanto outras sentem dor nas costas, dificuldade para andar ou sintomas que descem para as pernas.

O que é espondilolistese

É uma alteração no alinhamento da coluna.

Quando a vértebra sai do lugar esperado, a região pode perder estabilidade. Com isso, discos, articulações e nervos próximos acabam recebendo mais pressão.

Na prática, não significa que todo caso será grave. Muitos quadros são leves e respondem bem a medidas conservadoras, especialmente quando o diagnóstico é feito cedo.

É a mesma coisa que hérnia de disco?

As duas condições podem causar dor lombar e dor irradiada para as pernas, mas não são iguais. Na hérnia de disco, o problema principal está no disco entre as vértebras.

Na espondilolistese, o foco é o deslizamento do osso. Ainda assim, uma condição pode estar associada à outra, o que reforça a importância do diagnóstico preciso do ortopedista especialista em coluna em Goiânia.

Quais são as principais causas

A causa varia de acordo com o tipo de espondilolistese. Em adultos, os quadros degenerativos são bastante comuns, enquanto jovens e atletas podem apresentar formas ligadas à sobrecarga repetitiva ou fratura por estresse.

Também existem casos congênitos, traumáticos e patológicos. Por isso, não basta olhar apenas para a dor, é preciso entender por que a vértebra perdeu estabilidade.

Espondilolistese degenerativa

É a forma mais comum em adultos mais velhos. Ela aparece com o desgaste natural dos discos, ligamentos e articulações da coluna ao longo do tempo.

Com essa perda de sustentação, a vértebra pode começar a deslizar. Em muitos pacientes, o quadro vem acompanhado de estreitamento do canal vertebral, o que aumenta a chance de dor nas pernas e formigamento.

Espondilolistese ístmica

Nesse tipo, existe uma falha na pars interarticularis, uma pequena parte óssea da vértebra. Essa alteração pode surgir após microtraumas repetidos, especialmente em pessoas que praticam esportes com muita extensão da coluna.

Ginástica, levantamento de peso e algumas modalidades de impacto entram nesse grupo. Nem toda fratura por estresse causa deslizamento, mas ela pode favorecer esse processo com o passar do tempo.

Outros tipos

Além das formas mais comuns, a espondilolistese também pode ser:

  • Congênita ou displásica, quando a coluna já se forma com alterações estruturais.
  • Traumática, após quedas, acidentes ou fraturas.
  • Patológica, quando o osso enfraquece por tumor, infecção, osteoporose ou outra doença.
  • Pós-cirúrgica, situação menos frequente, relacionada a alterações de estabilidade após procedimentos na coluna.

Sintomas mais comuns

O sintoma mais conhecido é a dor lombar. Ela costuma piorar ao ficar muito tempo em pé, caminhar por vários minutos ou fazer certos movimentos repetidos.

Quando há irritação ou compressão dos nervos, a dor pode irradiar para nádegas, coxas e pernas. Nessa fase, é comum o paciente dizer que a lombar “trava” ou que as pernas parecem mais fracas.

Outros sintomas que podem aparecer são rigidez nas costas, formigamento ou dormência nas pernas.

Em casos mais avançados, podem surgir perda progressiva de força, alteração da marcha e limitação importante das atividades do dia a dia. Já nos quadros leves, a espondilolistese pode ser quase silenciosa.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pela consulta clínica. O médico começa avaliando onde a dor aparece, há quanto tempo ela existe e quais movimentos pioram os sintomas.

Durante o exame, o especialista verifica se há sinais de irritação nos nervos, como dormência, perda de força ou reflexos alterados.

A avaliação por imagem ajuda a confirmar o deslizamento da vértebra e mostra o grau da espondilolistese:

  • A radiografia é o primeiro passo, porque mostra o alinhamento das vértebras com clareza.
  • A tomografia pode ser útil para detalhar melhor as estruturas ósseas.
  • Já a ressonância magnética é solicitada quando existe suspeita de compressão de nervos, comprometimento de disco, ligamentos ou estenose do canal.

Quais são os graus

A classificação por graus mostra o quanto a vértebra escorregou. Isso ajuda a entender a gravidade do caso e a planejar o tratamento.

De forma geral, a divisão funciona assim:

  1. Grau I: deslizamento de até 25%.
  2. Grau II: deslizamento entre 25% e 50%.
  3. Grau III: deslizamento entre 50% e 75%.
  4. Grau IV: deslizamento acima de 75%.
  5. Grau V: deslizamento completo, também chamado de espondiloptose.

Os graus baixos são os mais frequentes. Já os quadros de alto grau exigem atenção maior, porque têm mais chance de dor intensa, instabilidade e necessidade de cirurgia.

Como funciona o tratamento

O tratamento depende da causa, do grau de deslizamento, da idade do paciente e da presença ou não de compressão nervosa. A boa notícia é que muitos casos melhoram sem cirurgia.

O foco inicial é aliviar a dor, fortalecer a musculatura que protege a coluna e devolver função ao paciente. Isso não significa, necessariamente, recolocar a vértebra no lugar, mas sim controlar o problema com segurança.

Tratamento sem cirurgia

Na maioria dos casos leves ou moderados, o tratamento conservador é a primeira escolha. Ele pode combinar fisioterapia, ajuste das atividades do dia a dia e medicamentos para dor e inflamação, sempre com orientação médica.

Exercícios voltados para estabilização lombar e fortalecimento do core ajudam bastante. Em alguns pacientes, infiltrações também entram no plano terapêutico quando a dor persiste.

As medidas mais usadas são:

  • Fisioterapia com foco em estabilização e mobilidade;
  • Analgésicos e anti-inflamatórios, quando indicados;
  • Redução temporária de atividades que agravam a dor;
  • Reeducação postural e ajuste de carga;
  • Fortalecimento de abdômen, glúteos e musculatura paravertebral.

Quando a cirurgia pode ser indicada

A cirurgia é considerada quando a dor continua forte mesmo após tratamento bem conduzido, quando existe compressão importante dos nervos ou quando há perda progressiva de força.

Casos com instabilidade importante, alto grau de deslizamento ou piora neurológica também podem exigir abordagem cirúrgica. Nessa situação, o objetivo é descomprimir os nervos e estabilizar a coluna.

Mas isso não quer dizer que toda espondilolistese precise de operação. A indicação é individual e depende muito mais do conjunto clínico do que apenas do exame.

Tem cura?

Essa resposta depende do que se entende por cura. Em muitos pacientes, os sintomas ficam controlados com tratamento conservador e a pessoa volta a trabalhar, caminhar e se exercitar com boa qualidade de vida.

Por outro lado, o deslizamento em si nem sempre desaparece com fisioterapia ou remédio. A correção estrutural fica reservada para casos em que a cirurgia realmente é necessária.

Dá para prevenir?

Nem toda espondilolistese pode ser evitada, porque algumas formas estão ligadas ao envelhecimento natural ou a alterações congênitas. Ainda assim, alguns cuidados ajudam a reduzir o risco de sobrecarga e piora dos sintomas.

A ideia não é prometer prevenção total, e sim proteger melhor a coluna ao longo do tempo, que vale tanto para quem nunca teve dor quanto para quem já recebeu o diagnóstico.

Algumas medidas úteis são:

  1. Manter a musculatura do tronco fortalecida.
  2. Fazer exercícios com orientação adequada.
  3. Evitar aumento brusco de carga nos treinos.
  4. Corrigir técnica esportiva e postura no trabalho.
  5. Respeitar dor persistente, sem insistir em movimento que piora o quadro.
  6. Buscar avaliação cedo, principalmente após trauma ou dor recorrente.

Quando procurar ajuda com urgência

Dor lombar isolada nem sempre é uma emergência, no entanto, alguns sinais pedem avaliação médica rápida, principalmente quando há suspeita de compressão neurológica ou trauma recente.

Procure atendimento com urgência se houver:

  • Perda de força progressiva nas pernas;
  • Dificuldade súbita para andar;
  • Perda de sensibilidade importante;
  • Alteração para controlar urina ou evacuação;
  • Dor intensa após queda, acidente ou impacto.

Com o tratamento certo, muitos pacientes conseguem controlar a dor e retomar a rotina. O acompanhamento ajuda a ajustar exercícios, revisar exames e observar se o deslizamento está estável ou evoluindo.

O mais importante é não tratar a espondilolistese como se fosse sempre igual. Cada caso tem uma causa, um grau de instabilidade e um impacto diferente na vida da pessoa.

Perguntas frequentes

A espondilolistese sempre precisa de cirurgia?

Não. Muitos casos leves e moderados melhoram com fisioterapia, fortalecimento muscular, ajuste de atividades e controle da dor. A cirurgia é avaliada quando há dor persistente, compressão importante dos nervos, perda de força ou instabilidade relevante na coluna.

Quem tem espondilolistese pode fazer exercícios?

Pode, desde que os exercícios sejam bem orientados. O foco é fortalecer abdômen, glúteos e musculatura da coluna, sem forçar movimentos que aumentam a dor. Treinos com impacto, carga excessiva ou extensão repetida da lombar devem ser avaliados com cuidado.

Qual exame mostra o deslizamento da vértebra?

A radiografia é o exame inicial para avaliar o alinhamento da coluna e medir o grau do deslizamento. A tomografia ajuda a analisar melhor a parte óssea, e a ressonância magnética é útil quando há suspeita de compressão nervosa, alteração nos discos ou estenose do canal.

Quando a dor lombar precisa de atendimento urgente?

Procure atendimento rápido se a dor vier com perda de força nas pernas, dificuldade para andar, dormência importante, alteração para controlar urina ou evacuação, ou após queda e acidente. Esses sinais podem indicar comprometimento neurológico ou lesão mais séria.

Dr. Aurélio Arantes

Especialista em ortopedia de coluna em Goiânia. Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC). Preceptor do Departamento de Ortopedia e Traumatologia do HC-UFG e membro da diretoria da SBOT Goiás.

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