Procedimentos Cirúrgicos

Cirurgia de Escoliose é Perigosa?

Saiba se cirurgia de escoliose é perigosa, os reais riscos e como reduzir as complicações.

A resposta mais honesta se cirurgia de escoliose é perigosa é: toda cirurgia tem risco, e a correção da escoliose não foge disso.

Mas chamar o procedimento de “perigoso” sem contexto pode aumentar o medo e atrapalhar uma decisão que precisa ser feita com calma.

O que importa é comparar duas coisas: o risco de operar e o risco de deixar a curva continuar piorando. Em muitos casos bem indicados, a cirurgia existe justamente para evitar problemas maiores no futuro.

Antes de tudo, nem toda escoliose precisa de cirurgia

Muitas pessoas recebem o diagnóstico e já imaginam uma operação, só que a cirurgia não é necessária na maioria dos casos. Escolioses leves ou estáveis podem ser acompanhadas com exames, consultas e, quando indicado, colete e fisioterapia.

A cirurgia para escoliose é considerada quando a curvatura é grande, está progredindo ou começa a trazer impacto funcional, estético ou respiratório.

No caso de escoliose em adolescentes, esse raciocínio ganha força quando a curva passa da faixa de 45° a 50°, medida pelo ângulo de Cobb.

Também pesa a fase de crescimento, visto que uma curva importante em quem ainda está crescendo pode continuar avançando, o que muda bastante a decisão entre esperar e tratar.

Cirurgia de escoliose é perigosa?

A cirurgia de escoliose pode ser vista como um procedimento sério, mas não como uma sentença de perigo inevitável. O jeito mais correto de encarar o tema é sair do medo genérico e entrar na análise real do caso.

Quando a indicação é bem feita, o planejamento é cuidadoso e a equipe tem experiência, os benefícios justificam o procedimento.

A decisão final deve ser individual, com base no tamanho da curva, no risco de progressão, nos sintomas e no que a escoliose já está causando na vida do paciente.

Quais riscos existem de verdade

Os riscos variam conforme a idade, tipo de escoliose, tamanho da curva, doenças associadas e extensão da cirurgia, por isso, não existe uma resposta única que sirva para todo mundo.

Os pontos que são discutidos com mais clareza são estes:

  • Complicações da anestesia;
  • Sangramento durante ou após o procedimento;
  • Infecção;
  • Dor no pós-operatório;
  • Soltura de material ou falha de fusão óssea;
  • Necessidade de nova cirurgia no futuro;
  • Complicações neurológicas, que são mais raras, mas também mais temidas.

O risco que mais assusta

Quando alguém pergunta se cirurgia de escoliose é perigosa, quase sempre está pensando na medula e nos nervos. Esse medo faz sentido, já que a cirurgia acontece muito perto dessas estruturas.

Lesões neurológicas podem causar perda de força, alteração de sensibilidade e, em situações graves, dificuldade para andar ou controlar urina e intestino. Felizmente, esse é justamente o ponto que recebe mais atenção técnica durante o procedimento.

Hoje, a equipe costuma usar monitorização neurofisiológica intraoperatória, que acompanha os sinais nervosos em tempo real.

Se algo muda durante a correção da curva, o ortopedista referência em cirurgias de escoliose em Goiânia pode revisar imediatamente a manobra e reduzir a chance de dano permanente.

Por que a cirurgia ficou mais segura

Boa parte do medo em torno da cirurgia vem de histórias antigas, quando o planejamento era mais limitado e os recursos de monitoramento eram menores, mas isso mudou bastante.

Atualmente, a segurança depende de um conjunto de fatores, não de uma única tecnologia. Entra aí a avaliação pré-operatória, o estudo detalhado das imagens, o planejamento dos níveis a serem tratados, a qualidade da anestesia e o cuidado do pós-operatório.

Entre os recursos que ajudam a diminuir risco, vale destacar:

  • Monitorização da medula e das raízes nervosas durante a cirurgia;
  • Exames de imagem e planejamento mais precisos;
  • Melhor controle de sangramento;
  • Implantes e instrumentos mais confiáveis;
  • Equipes especializadas em deformidades da coluna.

Esse pontos não zeram o risco, porém, mudam bastante o cenário. Em vez de uma cirurgia “no escuro”, o procedimento passa a ser feito com mais controle, mais previsibilidade e mais capacidade de corrigir problemas ainda na sala operatória.

O que pesa mais: operar ou deixar a curva avançar?

Esse é o aspecto que merece mencionar. Às vezes, a família olha só para o risco da cirurgia e esquece que não operar também pode ter custo.

Uma curva importante pode continuar piorando, aumentar a rotação da coluna, deixar o tronco mais desequilibrado e trazer incômodo estético relevante.

Em alguns casos, especialmente quando a deformidade torácica é grande, a respiração também pode ser afetada.

Porém, isso não quer dizer que toda escoliose grave vá causar o mesmo problema, e sim que a decisão correta não nasce do medo, mas da comparação entre risco, benefício e tendência de progressão.

Como é a recuperação

A recuperação não é igual para todo paciente, pois depende da técnica usada, do número de vértebras incluídas, da resposta do organismo e do preparo físico antes da cirurgia.

Nos primeiros dias, o foco é controlar a dor, levantar com ajuda, respirar bem, andar pequenos trechos e observar a ferida operatória. Depois, começa uma volta gradual à rotina.

Em geral, o processo envolve estas etapas:

  1. Adaptação aos movimentos do dia a dia.
  2. Retorno progressivo à escola ou ao trabalho.
  3. Limitação temporária para esforço, impacto e carga.
  4. Consultas de revisão com exames.
  5. Liiberação das atividades conforme consolidação óssea e evolução clínica.

A melhora acontece por fases. Nas primeiras semanas, o corpo ainda está entendendo a nova posição da coluna. Com o passar dos meses, a tendência é ganhar mais conforto, confiança e autonomia.

O que ajuda a reduzir o risco antes da cirurgia

Uma parte importante da segurança acontece antes mesmo do procedimento. É nessa fase que a equipe identifica o que pode aumentar sangramento, infecção, complicação pulmonar ou dificuldade de recuperação.

Algumas atitudes fazem diferença real:

  • Operar com um especialista em coluna, de preferência com experiência em deformidades;
  • Levar todos os exames e remédios em uso para a consulta pré-operatória;
  • Tratar infecções ativas antes da cirurgia;
  • Controlar anemia, diabetes e outros problemas clínicos;
  • Alinhar expectativa com clareza, inclusive sobre dor e tempo de recuperação.

Também ajuda fazer perguntas objetivas. Qual é o objetivo da cirurgia no seu caso? Quantos níveis serão tratados? O que muda se a operação for adiada? Quais sinais no pós-operatório exigem contato imediato com a equipe?

Perguntas frequentes

Existe risco de ficar sem andar?

Existe, mas esse é um desfecho raro e muito temido, por isso recebe atenção máxima durante toda a cirurgia. O uso de monitorização neurofisiológica, planejamento detalhado e equipe treinada ajuda a detectar alterações cedo e reduzir esse risco. O ponto mais importante é entender o risco real do seu caso, e não o de outro paciente.

A cirurgia acaba com a dor na hora?

Nem sempre. Nos primeiros dias, o esperado é justamente sentir dor do próprio procedimento, controlada com medicação e reabilitação. A longo prazo, muitos pacientes melhoram bastante, mas o objetivo principal da cirurgia é frear a progressão da curva e corrigir o alinhamento, não prometer alívio imediato e absoluto da dor.

Depois da cirurgia a coluna fica totalmente reta?

Nem sempre, e isso não significa falha. A meta cirúrgica é corrigir bem a deformidade, melhorar o equilíbrio do tronco e impedir que a escoliose continue avançando. Buscar uma coluna “perfeitamente reta” nem sempre é possível, nem necessário. O resultado ideal é aquele que combina segurança, correção adequada e boa função no dia a dia.

Dr. Aurélio Arantes

Especialista em ortopedia de coluna em Goiânia. Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC). Preceptor do Departamento de Ortopedia e Traumatologia do HC-UFG e membro da diretoria da SBOT Goiás.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo