Patologias da Coluna

Uncoartrose Cervical: O Que É, Sintomas e Tratamento

Saiba quais são as causas de uncoartrose cervical, sinais de alerta e como tratar.

A uncoartrose cervical é um tipo de desgaste na coluna, afetando as articulações uncovertebrais, pequenas estruturas que ajudam a guiar os movimentos cervicais e a manter a estabilidade entre as vértebras.

Esse processo faz parte do envelhecimento da coluna. Nem sempre causa sintomas, mas, quando provoca inflamação, bicos de osso ou compressão na saída dos nervos, pode gerar dor, rigidez, formigamento e perda de força.

O que é uncoartrose cervical

Quando falamos em uncoartrose, estamos nos referindo a uma forma específica de artrose na região cervical.

O desgaste acontece perto dos processos unciformes, estruturas anatômicas que existem nas vértebras do pescoço e participam do controle do movimento.

Com o tempo, os discos perdem água, a articulação sofre mais carga e o corpo pode formar osteófitos, conhecidos como “bicos de papagaio”.

Se essas alterações diminuem o espaço por onde passam os nervos, a dor pode sair do pescoço e irradiar para ombro, braço e mão.

Vale uma distinção simples. Uncoartrose é um termo mais específico, enquanto artrose cervical ou espondilose cervical são nomes mais amplos para o desgaste da coluna cervical.

Principais sintomas

Os sintomas variam bastante. Há pessoas com alterações no exame de imagem e pouca dor, enquanto outras sentem limitações no dia a dia.

Os sinais mais comuns são:

  • Dor no pescoço;
  • Sensação de rigidez, principalmente ao acordar;
  • Estalos ou crepitação ao mexer a cabeça;
  • Sensação de peso na nuca e nos ombros;
  • Dor que piora após muito tempo sentado ou olhando para baixo.

Quando há irritação ou compressão nervosa, podem surgir outros sintomas:

Em casos mais avançados, a compressão pode atingir a medula. Nessa situação, podem aparecer desequilíbrio, alteração da marcha e perda de coordenação nas mãos, o que exige avaliação médica sem demora.

O que pode causar

A causa principal é o desgaste progressivo da coluna com o passar dos anos. Isso não quer dizer que todo mundo vá ter sintomas, mas mostra por que a condição é mais comum na vida adulta e na velhice.

Alguns fatores aumentam a chance de o problema aparecer ou piorar:

Também vale prestar atenção aos hábitos do dia a dia. Ficar muitas horas no computador, usar o celular com a cabeça inclinada para baixo e passar tempo demais sem se movimentar tende a aumentar a sobrecarga na coluna cervical.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pela conversa com o médico e pelo exame físico. O mais importante é entender onde dói, há quanto tempo, o que piora, o que melhora e se existem sinais de comprometimento neurológico.

Durante a avaliação, costuma-se observar:

  • Amplitude de movimento do pescoço;
  • Força nos braços e nas mãos;
  • Reflexos;
  • Sensibilidade;
  • Sinais de compressão nervosa ou medular.

Os exames de imagem entram para confirmar o quadro e medir o grau das alterações.

O raio X pode mostrar redução do espaço entre vértebras e osteófitos. A ressonância magnética é mais útil quando há dormência, fraqueza, dor irradiada ou suspeita de compressão de nervos e medula.

A tomografia pode ser pedida em situações específicas, sobretudo quando o objetivo é detalhar melhor as alterações ósseas.

Como tratar

O tratamento depende do tipo de sintoma, da intensidade da dor e da presença ou não de compressão nervosa. Na maioria dos casos, a primeira escolha é o tratamento conservador.

Medidas para aliviar a dor

Nos períodos de crise, o médico pode indicar analgésicos ou anti-inflamatórios. Em algumas situações, relaxantes musculares ou outros remédios para dor neuropática também entram no plano.

Calor local, gelo e ajuste temporário das atividades costumam ajudar. O colar cervical pode ser usado por curto prazo em casos selecionados, mas não deve virar rotina sem orientação, porque o uso prolongado pode enfraquecer a musculatura.

Fisioterapia e reabilitação

A fisioterapia é uma das partes mais importantes do tratamento. Ela ajuda a reduzir a dor, melhorar a mobilidade e fortalecer a musculatura que sustenta a cervical e os ombros.

Em geral, o programa inclui:

Esse cuidado faz diferença porque não trata só a crise. Ele também ajuda a diminuir a sobrecarga repetida que mantém o pescoço irritado.

Mudanças de hábitos que fazem diferença

Além dos exercícios, alguns ajustes simples aliviam bastante os sintomas.

O ideal é manter a tela do computador na altura dos olhos, apoiar bem os antebraços, fazer pausas durante o trabalho e evitar ficar muito tempo na mesma posição.

Quando a cirurgia pode ser necessária

A cirurgia não é o tratamento mais comum.

Ela é considerada quando há compressão neurológica importante, piora progressiva da força, alteração da marcha, comprometimento da medula ou dor que não melhora mesmo após tratamento bem conduzido.

O objetivo cirúrgico é descomprimir nervos ou medula e estabilizar a coluna quando isso é necessário.

O ortopedista de coluna com abordagem moderna e especializada leva em conta exame o clínico, dos sintomas e do resultado da ressonância ou da tomografia para indicar ou não a cirurgia.

Quando procurar atendimento com mais urgência

Dor cervical nem sempre é sinal de algo grave, mas alguns sintomas merecem atenção rápida, pois podem indicar compressão importante dos nervos ou da medula.

Procure avaliação médica sem demora se houver:

  • Perda de força no braço ou na mão;
  • Dificuldade para caminhar ou perda de equilíbrio;
  • Dormência persistente ou que está piorando;
  • Perda de coordenação para escrever ou segurar objetos;
  • Alteração no controle da urina ou das fezes.

Também vale antecipar a consulta se a dor está acordando você à noite, piorando com rapidez ou não melhora mesmo com repouso e analgésicos simples.

Dá para prevenir ou desacelerar?

Nem sempre é possível evitar completamente o desgaste da coluna, porque o envelhecimento faz parte do processo. Ainda assim, vários hábitos podem diminuir a sobrecarga no pescoço e retardar o aparecimento de sintomas.

O mais importante é manter a cervical em movimento, fortalecer a musculatura e evitar postura sustentada por muito tempo. Pequenas pausas ao longo do dia valem mais do que tentar compensar tudo no fim de semana.

Perguntas frequentes

O que é uncoartrose cervical?

Uncoartrose cervical é um desgaste nas articulações uncovertebrais, que ficam entre as vértebras do pescoço. Ela pode fazer parte do envelhecimento natural da coluna, mas passa a exigir mais atenção quando causa dor, rigidez, formigamento ou compressão de nervos.

Quais sintomas pode causar?

Os sintomas mais comuns são dor no pescoço, rigidez, estalos ao mexer a cabeça, peso na nuca e dor nos ombros. Quando existe irritação nervosa, a dor pode descer para o braço e vir acompanhada de formigamento, dormência ou perda de força.

Uncoartrose cervical tem cura?

A uncoartrose cervical não costuma ser “revertida”, porque envolve desgaste das articulações. Mesmo assim, muitos pacientes conseguem controlar bem os sintomas com tratamento adequado, fisioterapia, fortalecimento, ajustes posturais e acompanhamento médico.

Quando a uncoartrose cervical precisa de cirurgia?

A cirurgia não é comum na maioria dos casos. Ela pode ser considerada quando há compressão importante de nervos ou da medula, perda progressiva de força, alteração da marcha, piora da coordenação ou dor persistente mesmo após tratamento bem conduzido.

Dr. Aurélio Arantes

Especialista em ortopedia de coluna em Goiânia. Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC). Preceptor do Departamento de Ortopedia e Traumatologia do HC-UFG e membro da diretoria da SBOT Goiás.

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