Procedimentos Cirúrgicos

Cirurgia de Hérnia Cervical C5-C6: Quando é Indicada

Saiba quais as indicações da cirurgia de hérnia cervical C5-C6, como é feita e o que esperar da recuperação.

Receber a notícia de que existe uma hérnia cervical em C5-C6 geralmente assusta, ainda mais quando a dor desce para o braço, a mão perde força ou o laudo da ressonância parece mais grave do que os sintomas do dia a dia.

Mas uma coisa precisa ficar clara desde o começo: nem toda hérnia cervical C5-C6 precisa de cirurgia. Em boa parte dos casos, o tratamento começa com medidas conservadoras, e muitos pacientes melhoram sem operação.

Este guia foi reescrito para responder à dúvida central de quem pesquisa o tema: quando a cirurgia de hérnia cervical C5-C6 realmente faz sentido, quais técnicas são usadas e como é a recuperação.

O que é a hérnia cervical C5-C6

A coluna cervical fica na região do pescoço. Entre uma vértebra e outra existem discos, que funcionam como amortecedores e ajudam no movimento.

Quando falamos em hérnia cervical C5-C6, estamos nos referindo ao disco que fica entre essas duas vértebras. Se esse disco se desgasta, rompe ou desloca parte do seu conteúdo, ele pode irritar ou comprimir uma raiz nervosa, e em alguns casos até a medula.

É um quadro que pode causar dor no pescoço, dor que irradia para ombro e braço, formigamento, dormência e perda de força.

No nível C5-C6, é comum que o desconforto siga pelo braço e interfira em movimentos simples, como segurar objetos, levantar o braço ou manter firmeza na mão.

Quando a cirurgia de hérnia cervical C5-C6 é indicada

O ortopedista especialista em coluna referência em tratamentos de alta complexidade em Goiânia avalia a cirurgia quando o tratamento conservador não resolve bem o problema ou quando há sinais de comprometimento neurológico mais importante.

De forma geral, a avaliação fica mais séria em situações como:

  • Dor no braço muito intensa e persistente, apesar de remédios, fisioterapia e ajustes de rotina;
  • Fraqueza progressiva no braço ou na mão;
  • Dormência que não melhora ou piora com o tempo;
  • Alterações de equilíbrio, marcha ou coordenação;
  • Compressão da medula no exame, junto de sintomas compatíveis;
  • Dor que continua limitando sono, trabalho e atividades básicas depois de um período razoável de tratamento clínico.

Outro detalhe importante é que dor no pescoço, sozinha, nem sempre significa que operar vai ajudar.

O raciocínio muda quando existe dor irradiada para o braço, perda de força, sinais de compressão nervosa ou sinais de mielopatia, que é quando a medula começa a sofrer pressão.

O que é tentado antes da cirurgia

Na maioria dos casos, o primeiro passo é o tratamento conservador, que pode incluir anti-inflamatórios ou outros analgésicos, fisioterapia, ajustes ergonômicos, redução temporária de esforços e, em situações selecionadas, infiltrações.

O objetivo é dar tempo para a inflamação baixar, observar a evolução da força e da sensibilidade e entender se o corpo está respondendo bem.

Como é feita a cirurgia

Não existe uma única cirurgia para todo paciente com hérnia cervical. A técnica muda conforme o lado da compressão, o grau de desgaste do disco, a presença ou não de osteófitos, a idade, o padrão de dor e o que aparece nos exames.

Ainda assim, algumas cirurgias aparecem mais no dia a dia.

ACDF, a cirurgia mais comum

A técnica mais conhecida é a discectomia cervical anterior com fusão, chamada de ACDF. Nela, o cirurgião acessa a coluna pela parte da frente do pescoço, remove o disco doente e descomprime a raiz nervosa ou a medula.

Depois disso, o espaço é preenchido com enxerto, cage ou outro implante, e muitas vezes são usados placa e parafusos para estabilizar a região enquanto a fusão acontece.

É uma cirurgia bastante consolidada no tratamento da radiculopatia cervical e segue como a opção mais comum em muitos cenários.

Prótese de disco cervical

Em casos selecionados, pode haver indicação de prótese de disco cervical, também chamada de artroplastia ou disc replacement. A lógica é retirar o disco doente e colocar um implante que preserve mais movimento do segmento, em vez de fundir as vértebras.

A indicação depende da anatomia, do tipo de degeneração, da estabilidade da coluna e de critérios técnicos avaliados pelo cirurgião. Quando bem indicada, pode ser uma alternativa à fusão em alguns casos de disco cervical sintomático.

Descompressão posterior e técnicas minimamente invasivas

Há pacientes em que a compressão pode ser tratada por trás, com procedimentos como foraminotomia posterior. Em termos simples, a ideia é abrir espaço para o nervo sem necessariamente fazer fusão.

Esse tipo de abordagem pode preservar movimento e, em alguns casos, permitir recuperação mais rápida. Também existem técnicas minimamente invasivas e endoscópicas, mas elas não são superiores por definição.

A cirurgia é perigosa?

Toda cirurgia tem risco, e seria errado vender a ideia de procedimento “simples” ou “sem complicação”. Ao mesmo tempo, também é errado tratar a cirurgia cervical como algo inevitavelmente arriscado demais.

Entre os riscos possíveis estão infecção, sangramento, lesão neurológica, alteração de voz temporária, dificuldade para engolir nos primeiros dias, falha de fusão, dor persistente e necessidade futura de nova cirurgia.

Em alguns casos, pode existir desgaste de níveis vizinhos ao longo do tempo.

Quais benefícios a cirurgia pode trazer

Quando a indicação é correta, a cirurgia tem um objetivo bem definido: aliviar a compressão no nervo ou na medula, que pode melhorar a dor irradiada, recuperar a força, reduzir formigamento e proteger a função neurológica.

O benefício é mais previsível para dor no braço e sintomas de compressão nervosa do que para dor cervical isolada. Esse detalhe é importante porque muita frustração no pós-operatório nasce de uma expectativa errada antes da cirurgia.

Como é o pós-operatório

A recuperação varia conforme a técnica, o número de níveis operados, a saúde geral do paciente e a resposta individual do organismo. Mesmo assim, existe um padrão geral que ajuda a entender o processo.

Muitas pessoas recebem alta no mesmo dia ou no dia seguinte, especialmente após ACDF de um nível sem intercorrências. Nos primeiros dias, é comum haver dor local, rigidez no pescoço e algum desconforto para engolir.

Depois da fase inicial, entra a recuperação funcional. O paciente começa a retomar atividades leves de forma progressiva, respeitando a cicatrização e a evolução dos sintomas.

A consolidação do segmento pode levar meses, e referências para pacientes descrevem que essa fusão pode continuar amadurecendo por seis meses a um ano, embora o retorno ao trabalho e a tarefas do dia a dia geralmente ocorra bem antes disso.

Fisioterapia sempre é indicada?

Nem sempre no mesmo momento, mas a reabilitação é frequente. Em muitos casos, a fisioterapia entra para recuperar a mobilidade, fortalecer musculatura, organizar postura e facilitar a volta às atividades.

Quando procurar avaliação sem demora

Alguns sinais merecem reavaliação rápida, mesmo que você ainda esteja em tratamento clínico ou já tenha operado:

  1. Perda de força progressiva no braço ou na mão;
  2. Alteração do equilíbrio ou sensação de pernas “falhando”;
  3. Piora importante da dormência;
  4. Dor muito intensa sem resposta ao tratamento;
  5. Febre, saída de secreção ou vermelhidão importante na ferida;
  6. Dificuldade para urinar ou evacuar;
  7. Dificuldade relevante para engolir ou respirar.

Esses sinais não significam sempre uma complicação grave, mas também não devem ser ignorados.

Perguntas frequentes

Cirurgia de hérnia cervical C5-C6 é sempre necessária?

Não. Na maior parte dos casos, o tratamento começa sem operação. A cirurgia é considerada quando a dor no braço persiste apesar do tratamento conservador, quando existe perda de força, ou quando há sinais de compressão da medula. O exame de imagem ajuda, mas a decisão depende principalmente dos sintomas e do exame físico.

Quanto tempo dura a cirurgia?

Depende da técnica e da complexidade do caso. Em cirurgias de um único nível, como muitas ACDF em C5-C6, o procedimento pode durar por volta de uma a duas horas, mas esse tempo varia. Casos com mais de um nível, revisão cirúrgica ou anatomia mais complexa podem levar mais tempo.

A cirurgia resolve a dor na hora?

Alguns pacientes sentem alívio rápido da dor irradiada para o braço, porque a descompressão do nervo costuma agir diretamente na causa desse sintoma. Mesmo assim, não é regra melhorar tudo no mesmo dia. Dormência, fraqueza e rigidez podem levar mais tempo para evoluir, principalmente quando o nervo estava comprimido havia meses.

Quem tem hérnia cervical C5-C6 pode voltar a treinar?

Muitas pessoas voltam, sim, mas não no mesmo ritmo nem no mesmo momento. O retorno depende do tipo de cirurgia, da consolidação, da força, da dor e do que o exame mostra na recuperação. O erro mais comum é acelerar demais. O retorno ideal é progressivo, orientado e com técnica ajustada.

Dr. Aurélio Arantes

Especialista em ortopedia de coluna em Goiânia. Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC). Preceptor do Departamento de Ortopedia e Traumatologia do HC-UFG e membro da diretoria da SBOT Goiás.

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