A protusão discal representa uma das condições mais frequentes que trato em meu consultório como ortopedista especializado em patologias da coluna vertebral em Goiânia.
Com mais de 15 anos dedicados ao diagnóstico e tratamento dessa afecção, observo que aproximadamente 40% dos meus pacientes apresentam algum grau de protusão discal, muitas vezes associada a quadros dolorosos significativos que comprometem sua qualidade de vida.
Neste artigo, compartilho minha experiência clínica e as evidências científicas mais recentes sobre o tratamento desta condição, desde seu diagnóstico até as abordagens terapêuticas mais efetivas que utilizo em minha prática diária.
Anatomia e Fisiopatologia
A coluna vertebral humana é uma estrutura complexa formada por vértebras empilhadas e separadas por discos intervertebrais.
Estes discos são compostos por um núcleo pulposo central, rico em água e proteoglicanos, circundado pelo anel fibroso, constituído por camadas concêntricas de fibras de colágeno dispostas em diferentes ângulos.
Tais discos funcionam como amortecedores naturais, distribuindo as forças e permitindo a flexibilidade da coluna.
Causas
A protusão discal ocorre quando há um deslocamento do material discal além do espaço intervertebral normal, porém, sem ruptura completa do anel fibroso.
Diferentemente da hérnia discal, onde há ruptura do anel e extravasamento do núcleo pulposo, na protusão, o anel permanece intacto, mas há uma deformação do disco que pode comprimir estruturas nervosas adjacentes.
Fatores como envelhecimento, degeneração discal, sobrecarga mecânica repetitiva e predisposição genética contribuem significativamente para o desenvolvimento desta condição.
Os segmentos mais frequentemente afetados pela protusão discal são L4-L5 e L5-S1 na região lombar, e C5-C6 e C6-C7 na região cervical.
Cerca de 70% dos pacientes com protusão discal apresentam acometimento lombar, enquanto 25% manifestam protusões cervicais, sendo os 5% restantes distribuídos em outras regiões da coluna.
A sintomatologia varia conforme a localização e o grau de compressão nervosa resultante.
Mecanismos de Dor na Protusão Discal
A dor relacionada à protusão discal deriva de dois mecanismos principais: a compressão mecânica direta sobre estruturas nervosas e a liberação de mediadores inflamatórios.
O disco intervertebral é normalmente avascular e desprovido de inervação em sua porção central, mas sua porção externa recebe inervação das fibras nociceptivas, tornando-o potencialmente doloroso quando lesionado.
Quando explico esta condição aos meus pacientes, utilizo a analogia de um pneu parcialmente deformado que pressiona a estrutura adjacente.
A compressão das raízes nervosas ou da medula espinhal pode provocar não apenas dor local, mas também:
- Dor irradiada (radiculopatia).
- Parestesias.
- Em casos mais graves, déficits motores ou alterações nos reflexos.
Diagnóstico Clínico e Imagenológico
O diagnóstico preciso da protusão discal é fundamental para estabelecer um plano terapêutico adequado.
A abordagem começa com uma anamnese detalhada, investigando características da dor, fatores de alívio e agravamento, histórico de traumas e atividades físicas ou ocupacionais.
Durante o exame físico, avalia-se a postura, amplitude de movimento, testes específicos para tensão radicular (como Lasègue), força muscular, reflexos e sensibilidade.
Exames Complementares
Os exames de imagem são essenciais para confirmar o diagnóstico e determinar a extensão da protusão discal:
- Radiografias simples: Embora não visualizem diretamente a protusão discal, ajudam a excluir outras condições e avaliar alinhamento vertebral, altura dos espaços discais e possíveis alterações degenerativas associadas. Em aproximadamente 30% dos casos, as radiografias revelam sinais indiretos que sugerem o diagnóstico.
- Ressonância Magnética (RM): Representa o padrão-ouro para avaliação da protusão discal, permitindo visualizar tanto o disco intervertebral quanto as estruturas neurais potencialmente comprimidas. A RM detecta com precisão mais de 95% dos casos, além de fornecer informações sobre o grau de degeneração discal, presença de edema ósseo e alterações nos ligamentos adjacentes.
- Tomografia Computadorizada (TC): Particularmente útil quando há contraindicações à RM ou para melhor avaliação de estruturas ósseas.
- Eletromiografia (EMG): Solicitada em casos selecionados para confirmar o comprometimento neurológico quando há sintomas radiculares persistentes ou déficits motores.
Tratamento Conservador
Com base em minha prática clínica, adoto uma abordagem predominantemente conservadora para o tratamento inicial da protusão discal, reservando a intervenção cirúrgica para casos específicos.
Aproximadamente 85% dos meus pacientes com protusão discal respondem satisfatoriamente ao tratamento não-cirúrgico quando seguem corretamente as recomendações.
Medicamentos
O controle da dor e da inflamação constitui o primeiro passo do tratamento:
- Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) para períodos curtos (7-14 dias).
- Analgésicos conforme necessário.
- Corticosteroides orais em esquema de redução gradual.
- Para pacientes com dor neuropática associada à protusão discal, bons resultados têm sido observados com medicamentos como pregabalina e gabapentina, especialmente quando há irradiação da dor para os membros.
Em casos de dor aguda intensa, cerca de 30% dos pacientes se beneficiam de bloqueios anestésicos epidurais ou radiculares guiados por fluoroscopia, realizados em ambiente hospitalar.
Esta intervenção minimamente invasiva frequentemente permite romper o ciclo de dor e facilitar a reabilitação precoce.
Fisioterapia Direcionada
A fisioterapia representa um componente essencial no tratamento da protusão discal.
Trabalho em estreita colaboração com fisioterapeutas especializados em coluna vertebral, aos quais encaminho meus pacientes após a fase aguda inicial.
O programa de reabilitação geralmente inclui:
- Modalidades de alívio da dor (eletroterapia, termoterapia).
- Terapia manual específica para descompressão articular.
- Exercícios de estabilização segmentar progressivos.
- Reeducação postural e ergonômica.
- Fortalecimento da musculatura paravertebral e abdominal.
Aproximadamente 75% dos pacientes apresentam melhora significativa da dor após 6-8 semanas de fisioterapia regular.
Enfatizo sempre a importância da aderência ao programa de exercícios domiciliares, que considero determinante para o sucesso do tratamento a longo prazo.
Quando Considerar a Cirurgia
As principais indicações para cirurgia são:
- Déficit neurológico progressivo.
- Dor incapacitante refratária ao tratamento conservador por pelo menos 6-12 semanas.
- Protusão discal volumosa com sinais de compressão neural significativa.
- Síndrome da cauda equina (emergência cirúrgica).
Técnicas Cirúrgicas
Como cirurgião de coluna, prefiro utilizar técnicas minimamente invasivas sempre que apropriado.
A microdiscectomia endoscópica representa atualmente cerca de 60% dos procedimentos que realizo para protusão discal, oferecendo vantagens como menor trauma tecidual, recuperação mais rápida e menor risco de instabilidade pós-operatória.
Em pacientes com instabilidade segmentar associada ou degeneração discal avançada com protusão sintomática, posso optar por técnicas de fusão intersomática (ALIF, TLIF ou PLIF) ou, em casos selecionados, por artroplastia de disco.
Os resultados cirúrgicos demonstram uma taxa de satisfação de aproximadamente 85% entre os pacientes operados, com retorno às atividades habituais em cerca de 8-12 semanas após o procedimento.
Para protusões discais cervicais sintomáticas, tenho preferido a abordagem anterior com discectomia e fusão (ACDF) ou, em pacientes jovens selecionados, a artroplastia de disco cervical, que preserva a mobilidade do segmento.
Prevenção e Reabilitação Pós-Tratamento
Os pacientes são orientados sobre medidas preventivas para evitar recorrências de protusão discal.
A educação sobre mecânica corporal, ergonomia e técnicas adequadas para levantamento de peso constitui parte fundamental do processo de reabilitação.
Programa de Manutenção
Um programa de manutenção específico para pacientes com histórico de protusão discal inclui:
- Exercícios diários de estabilização central (core).
- Alongamento da musculatura posterior dos membros inferiores e da coluna.
- Fortalecimento progressivo da musculatura paravertebral e abdominal.
- Atividades aeróbicas de baixo impacto (natação, caminhada, ciclismo).
- Controle de peso adequado.
- Avaliação postural periódica.
Os pacientes que aderem a este programa apresentam uma taxa de recorrência de protusão discal sintomática aproximadamente 65% menor em comparação aos que não seguem estas recomendações.
Conclusão
A protusão discal representa uma condição frequente na prática ortopédica especializada em coluna vertebral.
Em minha experiência clínica de mais de 15 anos, tenho observado que a abordagem multidisciplinar, iniciando com medidas conservadoras e reservando a cirurgia para casos específicos, proporciona os melhores resultados a longo prazo.
O avanço nas técnicas diagnósticas e terapêuticas tem permitido um manejo cada vez mais preciso e individualizado da protusão discal.
Contudo, continuo enfatizando aos meus pacientes que sua participação ativa no processo de tratamento, através da aderência às recomendações e ao programa de manutenção, representa o fator mais determinante para o sucesso terapêutico.
Como especialista dedicado ao estudo e tratamento das afecções da coluna vertebral, mantenho-me constantemente atualizado sobre as evidências científicas mais recentes, incorporando-as à minha prática clínica para oferecer aos meus pacientes as melhores opções terapêuticas disponíveis, sempre considerando suas necessidades e expectativas individuais.