Recebo inúmeras pessoas no consultório com dúvidas sobre a condição conhecida como osteófitos marginais.
Também chamados de “bicos de papagaio”, esses pequenos crescimentos ósseos aparecem nas bordas das vértebras e podem interferir na qualidade de vida.
Em minha experiência como ortopedista especializado em coluna vertebral em Goiânia, percebo que muitos pacientes apresentam sintomas que variam de dores localizadas a limitações de movimento, especialmente quando há compressão de nervos ou até mesmo da medula espinhal.
Se é a primeira vez que você está ouvindo falar em osteófitos marginais na coluna, te convido a continuar aqui e esclarecer todas as suas dúvidas!
Entenda o que são osteófitos marginais
Osteófitos marginais surgem como resultado de processos degenerativos que ocorrem ao longo dos anos.
Meu entendimento clínico é que o desgaste das articulações, dos discos intervertebrais e de estruturas de suporte na coluna desencadeia uma reação de defesa do organismo.
Os ossos começam a se proliferar para tentar compensar a instabilidade gerada e estabilizar as áreas lesionadas.
Essa tentativa de proteção nem sempre é benéfica, pois o crescimento excessivo pode comprimir estruturas delicadas, provocando sintomas incômodos.
Muitas pessoas associam osteófitos marginais exclusivamente ao envelhecimento, mas esse fator não é o único que colabora para seu aparecimento.
Em minhas consultas, surgem indivíduos com fatores de risco como predisposição genética, traumas na coluna, excesso de peso e sedentarismo.
Há casos em que movimentos repetitivos ou carga excessiva em atividades laborais também exercem um papel significativo.
Principais fatores de risco
Veja condições com potencial risco de desenvolver a condição:
- Pacientes acima dos 45 anos costumam apresentar maior incidência de osteófitos marginais, principalmente devido ao desgaste natural das articulações.
- A herança familiar pode contribuir para o surgimento precoce das mesmas formações ósseas.
- Sobrepeso;
- Má postura;
- Falta de exercícios.
- Fraqueza na musculatura de sustentação do tronco,
Mulheres apresentam uma incidência um pouco maior dessa condição, possivelmente por razões hormonais e anatômicas.
Observo igualmente que pessoas envolvidas em esportes de alto impacto estão mais propensas ao problema, caso não mantenham um fortalecimento adequado do core.
Cargas repetitivas e posturas incorretas, seja no trabalho ou em atividades diárias, podem favorecer alterações degenerativas na coluna.
Sintomas e formas de diagnóstico
Nem todos os pacientes que atendo manifestam dores intensas. Em certos casos, os osteófitos marginais surgem de maneira silenciosa, detectados apenas em exames de imagem solicitados por outro motivo.
Quando há sintomas, as queixas mais comuns envolvem:
- Desconforto em regiões como lombar ou cervical.
- Formigamento.
- Redução da amplitude de movimento.
- Eventualmente, a dor pode irradiar para braços ou pernas, dependendo do local afetado.
Com base em minha prática clínica, sempre começo com uma avaliação detalhada do histórico do paciente, buscando identificar possíveis fatores de risco e hábitos de vida.
Radiografias, tomografia computadorizada e ressonância magnética são métodos confiáveis para confirmar a presença de osteófitos e checar se há compressão neurológica.
Uma vez definidos o diagnóstico e a gravidade, consigo traçar um plano de cuidado específico.
Tratamentos possíveis
Há várias abordagens para amenizar os incômodos causados pelos osteófitos marginais.
O tratamento conservador costuma ser a primeira opção, principalmente quando os sintomas não são tão intensos:
- Fisioterapia e exercícios de fortalecimento, pois visam estabilizar a coluna e aliviar dores crônicas.
- Analgésicos e anti-inflamatórios podem auxiliar temporariamente, mas é preciso focar na correção de posturas e na reeducação motora.
Para quem sente dor persistente, ainda existe a possibilidade de intervenções mais avançadas:
- Bloqueios anestésicos.
- Infiltrações de corticoide e até procedimentos cirúrgicos.
Em alguns momentos, mesmo a cirurgia pode não remover totalmente os osteófitos, mas ajuda a liberar nervos comprimidos e restabelecer parte da função perdida. Cada caso demanda avaliação minuciosa.
Minhas observações em consultório
No dia a dia, percebo que a evolução do quadro varia bastante. Alguns de meus pacientes relatam melhora significativa apenas com exercícios, pois o fortalecimento do tronco reduz a sobrecarga sobre as articulações.
Gosto de enfatizar a importância de uma rotina de atividades físicas regulares e acompanhamento fisioterapêutico.
Outro ponto essencial é a conscientização: mudar hábitos de postura, cuidar do peso corporal e evitar esforços repetitivos costumam trazer benefícios duradouros.
Também notei que muitos buscam soluções rápidas, mas é fundamental ter paciência. Transformações estruturais na coluna demandam tempo.
Constância nos exercícios e adesão aos tratamentos são cruciais. A presença de dor crônica pode gerar insegurança, porém, com orientação profissional e disciplina, há uma boa chance de evolução positiva.
Prevenção e cuidados diários
Evitar o surgimento de osteófitos marginais nem sempre é possível, pois o processo degenerativo faz parte do envelhecimento. Apesar disso, medidas simples ajudam bastante, como:
- Manter o peso dentro de limites saudáveis.
- Adotar práticas regulares de atividade física.
- Fazer pausas durante o trabalho.
- Uso de cadeiras e colchões adequados.
Quanto ao exercício, valorizar o fortalecimento do core e alongamentos suaves traz alívio para a coluna.
Indico modalidades que combinam fortalecimento e baixo impacto, como pilates e hidroginástica, visto que diminuem a pressão sobre as articulações e favorecem a estabilidade.
Incluir caminhadas moderadas, yoga e outras atividades adequadas à idade e condição física também contribui para evitar a progressão dos danos.
Conclusão
Em minha rotina como ortopedista especializado, compreendi que os osteófitos marginais podem ser vistos como uma resposta do corpo a mudanças estruturais na coluna.
Podem não causar problemas graves em vários pacientes, mas, quando provocam dor ou limitação, exigem atenção médica.
O fundamental é buscar diagnóstico precoce, seguir orientações especializadas e incorporar hábitos saudáveis. Cada organismo apresenta suas peculiaridades, então o tratamento deve ser individualizado.
A manutenção de um estilo de vida ativo, a vigilância sobre fatores de risco e o investimento em posturas corretas são passos concretos para conter a evolução dessas formações ósseas.
Percebo que a soma de fisioterapia, exercícios regulares e reeducação postural resulta em alívio duradouro para muitos.
Cuidar da coluna é sinônimo de mais autonomia, bem-estar e disposição para enfrentar as atividades do dia a dia.
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