A hérnia de disco no pescoço representa uma das condições mais frequentes que vejo em minha clínica ortopédica especializada em coluna vertebral em Goiânia.
Esta condição ocorre quando há um deslocamento do conteúdo do disco intervertebral na região cervical, causando compressão das raízes nervosas e, por vezes, da própria medula espinhal.
Em minha experiência de mais de 15 anos tratando pacientes com problemas na coluna, tenho observado um aumento significativo nos casos de hérnia discal no pescoço, principalmente devido às mudanças nos hábitos posturais associados ao uso extensivo de dispositivos eletrônicos.
Se você desconfia sofrer de hérnia de disco no pescoço, vale a pena continuar aqui e esclarecer todas as suas dúvidas!
Compreendendo a Anatomia e Fisiopatologia
A hérnia de disco no pescoço ocorre quando o núcleo pulposo, a parte gelatinosa do disco intervertebral, rompe o ânulo fibroso (revestimento externo) e se projeta para fora de sua posição normal.
Na coluna cervical, temos sete vértebras numeradas de C1 a C7, sendo que as hérnias mais comuns ocorrem entre C5-C6 e C6-C7.
O processo degenerativo começa geralmente na terceira década de vida, quando ocorre uma diminuição da vascularização discal e aumento da esclerose das placas terminais, facilitando o desgaste do disco e diminuindo a formação de proteoglicanos.
Com o tempo, o disco perde sua capacidade de absorver impactos, tornando-se mais vulnerável a lesões.
Fatores como envelhecimento, predisposição genética, trauma, postura inadequada e movimentos repetitivos contribuem significativamente para o desenvolvimento da hérnia.
Vale ressaltar que fumantes têm maior predisposição a desenvolver esta condição, algo que sempre enfatizo durante as consultas.
Sintomas e Diagnóstico Preciso
O diagnóstico da hérnia de disco no pescoço baseia-se inicialmente no relato dos sintomas pelo paciente, seguido de um exame físico detalhado. Os pacientes geralmente relatam:
- Dor no pescoço, que pode irradiar para os ombros, braços e mãos.
- Formigamento ou dormência nos braços e dedos.
- Fraqueza muscular nos braços.
- Dor escapular e, em alguns casos, cefaleia.
Durante o exame físico, reflexos, força muscular e sensibilidade são avaliados. Costumo realizar testes específicos como o teste de Spurling e o teste de distração, que ajudam a confirmar a compressão radicular.
Para confirmação diagnóstica, exames complementares são solicitados:
- A ressonância magnética é o padrão-ouro, pois permite visualizar não apenas a hérnia, mas também o grau de compressão nervosa e o estado geral da coluna cervical.
- Em alguns casos, a tomografia computadorizada ou eletromiografia podem ser úteis para avaliar aspectos específicos.
Tratamentos Conservadores para Hérnia de Disco no Pescoço
Na maioria dos casos, inicia-se com uma abordagem conservadora. É importante ressaltar que aproximadamente 80% dos pacientes respondem bem a estes tratamentos, evitando a necessidade de intervenção cirúrgica.
O tratamento conservador geralmente inclui:
- Repouso controlado: Repouso relativo nas fases agudas, porém, o repouso prolongado pode ser contraproducente.
- Medicamentos: Uso de analgésicos, anti-inflamatórios não esteroidais e, em alguns casos, relaxantes musculares para alívio dos sintomas. Para dores mais intensas, corticoides orais podem ser prescritos por curto período.
- Fisioterapia: A fisioterapia é fundamental no tratamento da hérnia de disco no pescoço. Profissionais realizam técnicas específicas, como terapia manual, exercícios de fortalecimento e alongamento, além de reeducação postural.
- Infiltrações epidurais: Para pacientes com dor persistente que não respondem adequadamente à medicação oral, as infiltrações epidurais de corticosteroides podem proporcionar alívio significativo.
- Quiropraxia e RPG: Alguns pacientes têm se beneficiad com a Reeducação Postural Global (RPG) e técnicas de quiropraxia, quando realizadas por profissionais experientes.
O tratamento ideal é aquele que combina estas abordagens, adaptando-as às necessidades individuais de cada paciente.
O acompanhamento regular é essencial para avaliar a resposta ao tratamento e realizar ajustes quando necessário.
Abordagens Cirúrgicas Modernas
Quando o tratamento conservador não proporciona alívio adequado após 6-12 semanas, ou quando há déficits neurológicos progressivos, a cirurgia torna-se uma opção a ser considerada.
Na minha experiência como cirurgião de coluna, aproximadamente 15-20% dos pacientes com hérnia de disco no pescoço necessitam de intervenção cirúrgica.
Atualmente, existem diversas técnicas cirúrgicas:
- Discectomia anterior com fusão cervical: Esta é a técnica mais tradicional e ainda muito utilizada. Envolve a remoção do disco herniado e a fusão das vértebras adjacentes com enxerto ósseo e placa.
- Artroplastia de disco cervical: Em pacientes selecionados, principalmente mais jovens, tenho optado pela substituição do disco por uma prótese, o que permite manter a mobilidade do segmento.
- Procedimentos minimamente invasivos: A endoscopia de coluna representa um avanço significativo. Como evidenciado por casos recentes, a abordagem endoscópica permite acesso à hérnia com mínimo dano aos tecidos adjacentes, resultando em menor sangramento e recuperação mais rápida.
Casos Clínicos
Ao longo de minha carreira como especialista em coluna, tenho acompanhado centenas de casos de hérnia de disco no pescoço, cada um com suas particularidades. Gostaria de compartilhar alguns casos representativos:
Caso 1
Paciente do sexo feminino, 38 anos, professora, apresentava dor cervical irradiando para o braço direito há 4 meses.
Após falha do tratamento conservador inicial, implementamos um protocolo intensivo de fisioterapia com enfoque em correção postural e fortalecimento muscular.
Após 8 semanas, obteve melhora de 90% dos sintomas e mantém-se estável há 2 anos com exercícios de manutenção.
Caso 2
Paciente do sexo masculino, 39 anos, com diagnóstico de hérnia de disco extrusa.
Inicialmente, focamos no tratamento dos sintomas e da dor, mas obtivemos resultados muito melhores quando redirecionamos o tratamento para as alterações músculo-esqueléticas que desencadearam a patologia.
Este caso demonstra a importância de tratar a causa e não apenas os sintomas.
Caso 3
Paciente do sexo feminino, 45 anos, com múltiplas hérnias cervicais. Este caso complexo ilustra a importância da abordagem multidisciplinar que implemento em meu serviço.
O tratamento envolveu medicação, fisioterapia especializada, e mudanças no estilo de vida, resultando em melhora expressiva sem necessidade de cirurgia.
Cada paciente responde de maneira única aos tratamentos. Por isso, dedico tempo considerável às consultas iniciais para compreender não apenas os aspectos clínicos, mas também os fatores psicossociais e ocupacionais que podem influenciar na evolução do quadro.
Conclusão
A hérnia de disco no pescoço é uma condição complexa que requer abordagem personalizada.
Com base na minha prática clínica, tenho observado que o sucesso do tratamento está diretamente relacionado ao diagnóstico precoce e à implementação de estratégias terapêuticas adequadas a cada caso.
Como especialista em coluna vertebral, continuo comprometido com a pesquisa e implementação das técnicas mais avançadas para o tratamento da hérnia de disco no pescoço, buscando sempre o equilíbrio entre eficácia, segurança e rápida recuperação dos meus pacientes.