Ao longo de anos de experiência atuando como médico ortopedista de coluna vertebral em Goiânia, já recebi diversos casos de espondiloartrose lombar no consultório.
Meus pacientes costumam relatar dor lombar, limitação de movimentos e dúvidas sobre como lidar com essa condição degenerativa.
O propósito deste artigo é apresentar uma visão abrangente sobre esta patologia, abordando desde sua definição até as estratégias de tratamento mais recentes.
O que é espondiloartrose lombar
A espondiloartrose lombar, muitas vezes chamada de artrose lombar, corresponde ao desgaste progressivo das articulações na região inferior das costas.
Esse processo envolve estruturas como os discos intervertebrais (ânulo fibroso e núcleo pulposo) e as articulações facetárias, resultando em inflamação, dor e possível formação de osteófitos (os chamados “bicos de papagaio”).
Embora a degeneração seja algo natural com o passar dos anos, alguns fatores podem acelerar esse quadro.
É uma condição que se torna mais evidente após os 40 anos, principalmente em pessoas que apresentam sobrepeso, histórico familiar de doenças articulares ou realizam atividades que sobrecarregam a coluna.
Em estágios mais avançados, o desgaste pode gerar alterações na biomecânica vertebral, trazendo desconforto constante e perda de qualidade de vida.
Fatores de risco e desenvolvimento
A Idade é um ponto essencial ao abordar esse tema. O organismo passa por transformações naturais ao longo das décadas, e as vértebras acabam sofrendo modificações estruturais.
Existem outros motivos que também amplificam essa possibilidade de desgaste na coluna, como:
- Sedentarismo.
- Má postura no trabalho ou durante atividades diárias.
- Obesidade.
- Histórico de trauma.
- Osteoporose.
Alguns pacientes chegam ao consultório mencionando que familiares próximos apresentam artrose em diferentes segmentos corporais.
Essa predisposição genética costuma influenciar o aparecimento de espondiloartrose lombar, apesar do estilo de vida desempenhe um papel decisivo no ritmo e gravidade do quadro.
Principais sintomas
A dor lombar surge como a queixa mais comum, mas existem outros sintomas:
- Incômodos que se agravam ao ficar longos períodos em pé ou ao manusear objetos pesados.
- Rigidez ao sair da cama.
- Sensação de queimação.
- Limitação na mobilidade, dificultando tarefas simples do dia a dia.
Pacientes comentam sentir falta de confiança em movimentos que exigem flexão ou torção da coluna.
Alguns experimentam dormência ou dor irradiada para as pernas, principalmente se raízes nervosas estiverem comprimidas.
Percebo que determinadas vezes a pessoa encontra alívio ao mudar de posição ou ao repousar, mas há episódios em que a dor persiste e requer cuidado imediato.
Processo de diagnóstico
Durante a consulta, há uma avaliação detalhada da história clínica do paciente, já que cada indivíduo apresenta sinais específicos.
Testes ortopédicos são feitos para checar a estabilidade da coluna, pontos de maior sensibilidade e possíveis impactos na marcha. As ferramentas de imagem complementam esse processo:
- Radiografia da coluna lombar: possibilita observar redução do espaço entre as vértebras, presença de osteófitos e alterações na curvatura natural.
- Ressonância magnética: oferece visão mais profunda de discos intervertebrais, articulações facetárias e estruturas neurais. É um exame decisivo na identificação de compressões nervosas.
- Tomografia computadorizada: fornece maior detalhe das estruturas ósseas, algo útil para planejar eventuais procedimentos cirúrgicos.
Exames como bloqueios facetários, com injeção de substâncias analgésicas e anti-inflamatórias em pontos específicos, podem auxiliar a localizar a origem exata da dor.
Indivíduos que apresentam alívio parcial ou total após esse teste dão pistas sobre qual articulação está envolvida.
Alternativas de tratamento
Medidas conservadoras
Na maioria dos casos, oriento tratamentos não cirúrgicos como primeira opção. O objetivo é gerenciar a dor, melhorar a mobilidade e minimizar a evolução do desgaste.
1. Fisioterapia
Meus pacientes encontram grande benefício ao fortalecer a musculatura de sustentação da coluna.
Exercícios direcionados, terapia manual e reeducação postural são componentes primordiais. Modalidades como calor local, eletroterapia e exercícios de alongamento também ajudam no alívio sintomático.
2. Medicação
Analgésicos e anti-inflamatórios são prescritos conforme necessário para reduzir a inflamação, embora o uso prolongado exija cautela devido a efeitos colaterais.
Relaxantes musculares também podem ser considerados.
3. Atividade física
A prática de exercícios regulares, sob orientação especializada, mantém a coluna em movimento e evita a atrofia muscular.
Caminhada, hidroginástica e Pilates são exemplos que recomendo, pois tendem a apresentar baixo impacto e favorecem o fortalecimento global do corpo.
Procedimentos minimamente invasivos
Em situações em que as dores não respondem adequadamente às medidas conservadoras, costumo propor abordagens menos agressivas que podem trazer alívio significativo:
- Injeções epidurais: a aplicação de corticosteroides em pontos específicos atenua a inflamação e pode oferecer alívio a curto e médio prazo.
- Bloqueios facetários: úteis para diagnosticar e tratar a dor oriunda das articulações facetárias. Podem diminuir a irritação articular e favorecer a reabilitação.
- Radiofrequência: algumas vezes adotada para reduzir a sensibilidade de nervos que transmitem a dor, possibilitando um período de maior conforto.
Cirurgia minimamente invasiva
A decisão cirúrgica recai sobre casos em que há compressão nervosa intensa, falha nas terapias prévias ou perda funcional grave.
Como especialista em procedimentos minimamente invasivos, busco preservar o máximo de tecido saudável, reduzindo cicatrizes, tempo de internação e impacto no corpo.
Descompressão de raízes nervosas e estabilizações vertebrais menores podem solucionar problemas pontuais sem a necessidade de grandes abordagens cirúrgicas.
Meus pacientes frequentemente relatam mais tranquilidade no pós-operatório quando optam por esses métodos.
Retornar às atividades cotidianas de modo mais rápido é um dos principais benefícios, embora a reabilitação ainda seja fundamental para manter os ganhos obtidos.
Prevenção e estilo de vida
Evitar o avanço da espondiloartrose lombar passa pelo cuidado diário com o corpo. Veja algumas medidas de prevenção:
- Manutenção de um peso corporal adequado. O excesso de peso exerce carga maior sobre as articulações lombares, acelerando o desgaste.
- Organizar o ambiente de trabalho para melhor ergonomia, como ajusta ar altura de cadeiras, apoiar os pés no chão e dar pequenas pausas para se longar.
- Atividades regulares como caminhada, Pilates ou musculação leve auxiliam a fortalecer estruturas que sustentam a coluna, reduzindo a chance de crises dolorosas frequentes.
Muitos acreditam que apenas pessoas mais velhas devem preocupar-se com a saúde da coluna, mas observo no dia a dia que a prevenção desde cedo contribui para atrasar a degeneração articular.
Adotar boa postura ao sentar, dormir e se movimentar aumenta a chance de manter a coluna funcional ao longo da vida.
Conclusão
Espondiloartrose lombar não é motivo para desistir das atividades diárias. Mesmo que seja uma condição progressiva, há recursos que atenuam a dor, melhoram a mobilidade e oferecem oportunidades de viver bem.
Minha recomendação é procurar auxílio profissional diante de sintomas persistentes, pois o diagnóstico correto e o tratamento personalizado fazem a diferença no resultado.
Percebo grande melhora em meus pacientes quando há adesão aos protocolos de fisioterapia, uso criterioso de medicamentos e eventual aplicação de técnicas minimamente invasivas.
A manutenção de um estilo de vida saudável, com práticas que fortalecem a coluna, evita complicações e reduz o impacto das crises dolorosas.
O avanço da medicina também aponta para terapias mais sofisticadas no futuro, potencialmente retardando ainda mais a evolução da doença.
Enquanto isso, o melhor caminho é combinar práticas adequadas e acompanhamento contínuo, garantindo alívio dos sintomas e prevenção de maiores comprometimentos na região lombar.
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