A dor do lado direito do pescoço é uma queixa frequente que atendo semanalmente em meu consultório.
Como ortopedista especializado em tratamentos minimamente invasivos na coluna há mais de 15 anos, tenho observado que esta condição específica afeta pessoas de todas as idades e profissões, embora apresente características e causas distintas dependendo do perfil do paciente.
A dor localizada nesta região pode variar de um simples desconforto a uma condição incapacitante que interfere significativamente na qualidade de vida.
Neste artigo, compartilho minha experiência clínica no diagnóstico e tratamento dessas condições, abordando desde as causas mais comuns até as estratégias terapêuticas mais eficazes.
Anatomia cervical e mecanismos da dor
A região cervical é uma estrutura complexa composta por sete vértebras (C1 a C7), discos intervertebrais, ligamentos, músculos e nervos.
Quando falamos especificamente do lado direito do pescoço, precisamos considerar estruturas como o músculo esternocleidomastóideo, trapézio, escalenos e o plexo cervical.
A dor no lado direito do pescoço pode ser resultado de alterações mecânicas (como tensão muscular ou desalinhamento vertebral), processos inflamatórios, compressões nervosas ou, em casos menos comuns, manifestações de doenças sistêmicas.
Uma característica interessante que percebi ao longo de anos atendendo pacientes com esta queixa é que a lateralização da dor frequentemente se relaciona com hábitos posturais, dominância manual ou particularidades anatômicas individuais.
Causas mais frequentes da dor do lado direito do pescoço
Algumas causas são recorrentes para a dor do lado direito do pescoço, como:
- A tensão muscular e cervicalgia postural representam aproximadamente 70% dos casos. Estas condições estão frequentemente associadas ao uso prolongado de computadores, smartphones e posições inadequadas durante o sono.
- A hérnia de disco cervical, particularmente nos níveis C5-C6 e C6-C7, é outra causa comum. Quando ocorre no lado direito, pode provocar dor irradiada para o ombro e braço direitos, frequentemente acompanhada de formigamento ou fraqueza.
- Em pacientes acima de 50 anos, a espondilose cervical (artrose da coluna) torna-se mais prevalente, com formação de osteófitos que podem comprimir raízes nervosas ou a medula espinhal.
- Síndrome do desfiladeiro torácico, condição que acomete cerca de 8% dos pacientes com queixas de dor cervical lateral. Esta síndrome envolve a compressão do plexo braquial e vasos sanguíneos na saída do tórax, manifestando-se frequentemente com dor no lado direito do pescoço e alterações sensoriais no membro superior correspondente.
Diagnóstico
O diagnóstico preciso da dor do lado direito do pescoço começa com uma anamnese detalhada, sendo relevante entender o início, a evolução e as características da dor, além de fatores agravantes e atenuantes.
Questiono sempre sobre atividades profissionais, práticas esportivas e padrões de sono, pois estes elementos frequentemente esclarecem a etiologia do problema.
O exame físico é sistemático, incluindo inspeção, palpação, avaliação da amplitude de movimento e testes específicos para estruturas cervicais.
A palpação dos processos espinhosos, facetas articulares e musculatura paravertebral do lado direito frequentemente revela pontos de tensão ou inflamação.
O médico pode complementar com testes neurológicos como Spurling, distração cervical e manobra de Adson, que ajudam a diferenciar entre causas radiculares, compressivas ou musculoesqueléticas.
Exames de imagem
Quanto aos exames complementares, radiografias cervicais em incidências anteroposterior, perfil, oblíquas e transoral podem ser solicitadas.
Para casos mais complexos ou quando há suspeita de herniação discal, a ressonância magnética permite visualizar com precisão os tecidos moles, compressões nervosas e alterações degenerativas.
Em aproximadamente 15% dos pacientes com dor persistente no lado direito do pescoço, a eletromiografia auxilia na avaliação do comprometimento nervoso.
Tratamentos conservadores
O tratamento da dor do lado direito do pescoço começa com abordagens conservadoras na grande maioria dos casos:
- O repouso relativo nas primeiras 48-72 horas, evitando atividades que exacerbem a dor, é recomendado para a fase aguda.
- Simultaneamente, anti-inflamatórios não esteroidais e relaxantes musculares são prescritos por períodos curtos para controle da dor e redução do espasmo muscular.
- A fisioterapia representa um pilar fundamental no tratamento. Técnicas como eletroterapia, termoterapia, liberação miofascial, mobilização articular e exercícios terapêuticos progressivos têm demonstrado excelentes resultados.
- Para casos específicos de tensão muscular crônica, resultados promissores têm sido obtidos com infiltrações de pontos-gatilho e toxina botulínica.
Abordagens cirúrgicas: quando são necessárias?
A indicação cirúrgica para dor no lado direito do pescoço deve ser criteriosa e reservada para situações específicas.
Com base na minha experiência, menos de 5% dos pacientes que chegam ao consultório com esta queixa necessitam de intervenção cirúrgica.
As principais indicações são: déficit neurológico progressivo, dor intratável após tratamento conservador adequado e instabilidade cervical documentada.
É importante mencionar que sempre discuto detalhadamente com meus pacientes os riscos e benefícios esperados do procedimento cirúrgico.
A recuperação pós-operatória envolve um programa de reabilitação progressiva que tem início geralmente após 4-6 semanas da cirurgia, com foco no fortalecimento e estabilização da coluna cervical.
Prevenção e autocuidado
A prevenção é sempre o melhor tratamento:
- Adotar medidas ergonômicas no ambiente de trabalho, como ajuste adequado da altura do monitor (ao nível dos olhos), uso de suporte para documentos, cadeira com apoio lombar e cervical, e pausas regulares para alongamento.
- A prática de atividades físicas regulares com foco no fortalecimento da musculatura cervical posterior e escapular tem demonstrado excelentes resultados preventivos.
- Exercícios como retração escapular, elevação de ombros controlada e flexão cervical isométrica, quando realizados corretamente, reduzem significativamente a incidência de dor no lado direito do pescoço.
- Importância do travesseiro adequado, priorizando modelos que mantenham a coluna cervical em posição neutra, evitando flexão ou extensão excessivas durante o sono.
Quando procurar um especialista
Veja alguns sinais de alerta que exigem buscar atendimento médico imediato:
- Dor intensa e súbita, especialmente se associada a trauma.
- Sintomas como fraqueza no braço ou mão direita;
- Dificuldade para coordenar movimentos finos.
- Alterações na marcha.
- Disfunção vesical/intestinal.
- Dor persistente no lado direito do pescoço por mais de duas semanas, mesmo com automedicação adequada.
- Sintomas sistêmicos como febre, perda de peso inexplicada ou dor que piora à noite.
O adiamento da avaliação frequentemente leva à cronificação do quadro, tornando o tratamento mais complexo e prolongado.
Conclusão
A dor do lado direito do pescoço, como pudemos ver, apresenta múltiplas etiologias e manifestações clínicas.
Em minha trajetória como ortopedista especialista em coluna, tenho observado que a abordagem individualizada, considerando aspectos anatômicos, funcionais e contextuais de cada paciente, é fundamental para o sucesso terapêutico.
O diagnóstico preciso, seguido de tratamento adequado e medidas preventivas, permite resultados satisfatórios na maioria dos casos.
É gratificante acompanhar a evolução de meus pacientes e ver como intervenções bem direcionadas podem transformar drasticamente sua qualidade de vida.
Lembro sempre que a dor do lado direito do pescoço, quando adequadamente abordada, raramente representa um problema permanente.
A combinação de tratamento médico especializado, reabilitação física e mudanças no estilo de vida constituem o tripé fundamental para a resolução definitiva desse problema tão comum e impactante.